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	<title>Alberto Almeida &#187; Artigos</title>
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		<title>EQUANIMIDADE E AFINIDADE</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Aug 2013 14:05:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>simone</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[O exercício de cuidar, por parte dos pais, tem entre os inúmeros desafios a arte de saber distinguir sobre a equanimidade e a afinidade. O dever de proteger e nutrir os filhos, tanto física como emocional e espiritualmente, requer dos tutores a maestria de exercer essas funções de modo a atender igualmente a todos os [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>O exercício de cuidar, por parte dos pais, tem entre os inúmeros desafios a arte de saber distinguir sobre a equanimidade e a afinidade.</p>
<p>O dever de proteger e nutrir os filhos, tanto física como emocional e espiritualmente, requer dos tutores a maestria de exercer essas funções de modo a atender igualmente a todos os filhos, distribuindo não só o alimento material, mas atenções e cuidados, afeto e carinho, de modo que seus rebentos possam se desenvolver organicamente bem, e de modo satisfatório na área psicoemocional.</p>
<p>Todavia, como fazer isso lidando com filhos tão diferentes? De que jeito se pode atender a demandas desiguais, de vez que coexistem filhos saudáveis e outros doentes? Ou nas situações em que um é fisicamente “especial” (traz surdez ou cegueira ou mudez, etc.), enquanto os outros trazem normalidade anatomofisiológica? Ou, ainda, quando um é um “santo” e o outro tem transtorno de hiperatividade?</p>
<p>Igualmente, a questão se revela difícil aos pais, que se perguntam como agir quando o coração de um dos filhos “fala” mais próximo ao seu coração, fazendo-o vibrar distintamente em relação aos seus outros rebentos? O que fazer com aquele que desde o nascimento é o “xodó da mamãe”? E aquele que, desde cedo, é a “pedra no sapato” do pai, impondo-lhe uma aversão instintiva?</p>
<p>Essas e outras vicissitudes trazem à baila a necessidade de se distinguir com clareza sobre a relação e a diferença entre a equanimidade e a afinidade, a fim de que se possa agir com mais segurança, minimizando problemas e maximizando soluções.</p>
<p>Primeiramente, é preciso considerar que, habitualmente, encontram-se reencarnados numa mesma família espíritos afins e desafetos, amigos e inimigos de outrora. Portanto, são agrupados no mesmo lar para encaminhamentos e soluções, em tempo certo, espíritos com pendências existenciais pregressas, revelando dores a serem tratadas; abandonos a serem reparados; lesões a serem curadas. Do mesmo modo, corporificam-se em casa antigos amores consolidando afetividade, almas afins em regime de apoio recíproco na atual jornada, amigos antigos com compromissos de trabalho juntos. Tudo isto como agenda desta encarnação para ser cumprida – e comprida que é – pelos protagonistas do pretérito, agora na posição de pais e filhos, esposo e esposa, etc.</p>
<p>Em seguida, é imperioso saber identificar os sentimentos que brotam nas relações, para diferenciar com segurança aqueles oriundos desta existência daqueles que remontam ao passado, de modo a ajuizar melhor as demandas que surgem no lar reclamando ações corretivas de problemas atuais, bem como, em demorados investimentos, atitudes adequadas, solucionadoras de conflitos gerados em outras eras.</p>
<p>No atendimento equânime, os pais farão a distinção das necessidades de cada filho, a fim de poderem socorrê-los melhor nas demandas específicas, sem privilégios exclusivistas nem preconceitos descabidos; sem parcialidades prejudiciais nem, tampouco, prerrogativas insensatas. Óbvio que os pais devem dispensar atendimento mais específico aos filhos que requeiram cuidados especiais, quais sejam: os sequelados desde o parto por paralisia cerebral; os que renasceram com alterações desde o útero, como a Síndrome de Down; os que apresentam autismo ou outro transtorno invasivo e grave do desenvolvimento; também devem ser alvo de atenção mais apurada dos pais os filhos que apresentam transtornos mentais diversos, dificuldades emocionais acentuadas, etc.</p>
<p>Similarmente, é compreensível que os tutores dispensem maior cota de tempo e cuidados aos filhos que momentaneamente adoecem; ou que experimentam quadros de obsessão espirítica; ou, ainda, estejam vivenciando situações importantes, como um casamento, um parto, um concurso, etc.; ou, mesmo, após se ressentirem de algum abalo físico, emocional, social, moral&#8230;</p>
<p>Enfim, em todas as circunstâncias mencionadas e em outras correspondentes, a ninguém cabe questionar sobre a quantidade e qualidade de atenção e cuidados que deverão ser dispensados de conformidade com cada situação de per si.</p>
<p>Contudo, é fundamental lembrar que enquanto os pais são demandados por filhos mais necessitados, surge, comumente, o abandono de filhos ditos saudáveis, que não apresentam doenças físicas nem psicológicas e, por isso mesmo, parece não carecerem de cuidados, zelo, afetividade&#8230; Ledo engano! Mais tarde deixarão entrever, através de vários conflitos, o quanto ficaram à margem dos pais e da família porque não se constituíram em filhos-problema, mas que somente agora demonstram terem sido lesados pelo abandono e pela carência a que ficaram relegados, e pela insegurança e baixa estima que revelam como resultado da falta de apoio e de amor que não receberam suficientemente.</p>
<p>Por isso mesmo, é indispensável não descurar também de atender adequadamente aos filhos ditos “normais”, sem problemas; os “santos” ou bonzinhos, para não se ter surpresas desagradáveis mais tarde.</p>
<p>**</p>
<p>Outro aspecto importante na vivência doméstica intimamente ligada à equanimidade e que com ela muitas vezes se confunde, é o que se estabelece com o nome de afinidade.</p>
<p>A afinidade e/ou a “sintonia” espiritual identifica-se quando dois espíritos afins se encontram no lar, ou quando duas almas – mesmo guardando diferenças acentuadas em seus caracteres – demonstram um entrosamento e uma simpatia caracterizadora de que são espíritos que já viveram outras encarnações em regime de cumplicidade amistosa.</p>
<p>A afinidade entre duas almas, como pai e filha que apresentam semelhanças de gostos e de inclinações, de virtudes e de defeitos, com padrões psicoemocionais similares, consagra vínculo vibratório com ressonâncias recíprocas, configurando um relacionamento de mútua preferência claramente perceptível aos olhos de todos.</p>
<p>Em outras ocorrências, são espíritos bem diferentes, porém trazendo um encaixe espiritual como porca-parafuso, denunciando uma união incomum pela afetividade que se dispensam, deixando entrever que são almas com vivências pregressas, agora se reencontrando como mãe-filho, por exemplo, numa vinculação magnética reconhecida por todos.</p>
<p>A afinidade, por estar na natureza, não pode nem deve ser negada. O como se lida com ela é que pode gerar dificuldades e até problemas nos relacionamentos familiares, mormente quando se trate de pais-filhos.</p>
<p>Tal ocorre quando um pai, sintonizado com um filho em regime de reciprocidade, deixa que isto se constitua em desfavor da equanimidade, por meio de notória parcialidade na administração das regras perante os outros filhos. Estes, então, se ressentem da não isonomia com que as normas são aplicadas, inclusive na desigual distribuição dos retornos (<i>feedback</i>) que recebem comparativamente ao filho predileto, sendo abundantes os “carões”, os castigos, as reclamações, e escassos os elogios, as premiações&#8230; Isto, naturalmente, gera desconforto e conflito, sentimento de injustiça e de revolta&#8230;</p>
<p>Inúmeras vezes surgem na dinâmica familiar os sinais da equanimidade sendo afetada pela afinidade entre membros do lar. Assim, percebe-se a mãe chegando com um presente apenas para o seu xodó, enquanto os outros observam enciumados, com razão; o pai lembrar-se apenas do seu filho querido, ao convidá-lo para saídas de entretenimento; a filha que passa a ser a porta-voz dos irmãos, que reconhecem nela a “queridinha da mamãe”, que nunca recebe um não; o filho que usurpa da liberdade não concedida aos seus outros irmãos, valendo-se da tutela do “meu paizão”; as regalias com que é brindado o “filhinho do coração da mamãe”; as dádivas desigualmente presenteadas, marcando os filhos preteridos com mágoa dos pais que protagonizaram a ação infeliz, além do sentimento de ódio pelo irmão preferido.</p>
<p>Afora os exemplos citados, o que não dizer dos pais que adjetivam positivamente tão somente a filha favorita, chamando-a de “minha princesinha!”, enquanto que os outros incorporam a posição de plebeus; “meu rei!”, como se os outros permanecessem como vassalos; “meu coração!”, cabendo aos outros as partes menos nobres do corpo; “o &#8220;quindim da mamãe!”, “o docinho do papai”, etc. Não seria lesivo, emocionalmente, se todos fossem condecorados com epítetos qualificadores; todavia, isto raramente acontece. Aliás, coincide, algumas vezes, de os pais mais desatentos cognominarem negativamente os outros filhos; ou, ainda, de modo depreciativo, aquele pelo qual sentem certa animosidade, dissintonia, de “ovelha negra”, “bombom de alho”, “chorão”, “obsessor” &#8230; em verdadeiro <i>bullying</i>, em face do tom verbal que usam quando pronunciam semelhantes apelidos.</p>
<p>Situação mais grave acontece quando cada genitor se fixa em seu filho preferido, passando a defendê-lo – como se fossem pai/mãe de filho único – deixando literalmente à margem um terceiro, que será duplamente lesado, vivendo como se fosse um filho bastardo.</p>
<p>Além disso, pode acontecer que, para contrabalançar ou minimizar a disfuncionalidade da não equanimidade e suas repercussões na prole, um dos pais, na tentativa de compensar a inadequação do outro, busque apoiar aquele filho que “fica no canto”, ou promove recompensas àquele(s) que ficou (ficaram) desatendido(s); às vezes, se distancia do filho elegido, quando não o retalia como se este fosse o culpado da atitude inadequada do outro tutor.</p>
<p>As repercussões ruins são vistas, ainda, quando a prole passa a sabotar o irmão favorito, se não a hostilizá-lo. Ou, então, quando o filho destacado passa a achar que, de fato, ele tem mais direitos que os irmãos, e começa a agir com tal crença limitante. Todavia, o pior são as nefastas dores que se instalam na alma de cada filho preterido, como a sensação de que não são suficientes para serem amados por seus pais, gerando sentimento interno de inferioridade e de baixa autoestima, que afetará gravemente a vida afetiva adulta.</p>
<p>**</p>
<p>Por conseguinte, os pais podem e devem, sem prejuízo da afinidade, preservar a virtude da equanimidade no cuidado com os filhos, evitando, assim, problemas desnecessários no relacionamento com eles, em geral, bem como diminuindo a geração de conflitos entre os irmãos, em face da desigualdade com que possam se sentir aquinhoados pelos seus tutores.</p>
<p>Deste modo considerado, é de bom tom que os pais se conscientizem dos seus deveres perante a sua prole, de forma a poderem exercer com lucidez as suas funções de cuidadores e de educadores dos espíritos que Deus confiou à sua guarda.</p>
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